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É outro nível: A Noruega escolheu ela

A Doutora Mercia, brasileira, não escolheu a Noruega. Foi a Noruega que escolheu ela. Conseqüentemente ela ganha uma ótimo salario e não precisa falar norueguês.Â

Você trabalhava no Brasil?

Sim… eu trabalhava dentro da Universidade (PUC-Rio), era engenheira de pesquisa, contrato assinado CLT.. Lá eu era responsável por uma parte do laboratório (computadores, softwares, alunos) e também por uma das áreas de pesquisa do laboratório. A gente tem contratos de pesquisa com empresas (atualmente 100% Petrobras) e desempenha o papel de desenvolvimento de alguma tecnologia específica que a empresa. Â

Qual a vantagem de trabalhar dessa madeira?

Foi muito bom porque consegui fazer meu doutorado dentro deste esquema. Já que trabalhava numa universidade. Claro que desenvolvi minha tese de acordo com as necessidades do meu trabalho, senão eu não conseguiria conciliar. Â

Qual a sua área?

Eu sou engenheira eletrônica, com especialização em processamento de sinais, e comecei a trabalhar com sísmica para petróleo. Foi onde fiz meu doutorado, em geofísica/sísmica aplicada ao petróleo. Como na PUC não tem geofísica, fiz o doutorado dentro do grupo de engenharia de petróleo da Universidade, e me encaixei nele via engenharia civil. Portanto, tenho diploma de doutorado em engenharia civil, mas prefiro que me encaixem em geofísica aplicada. (deu um nó na cabeça?) eu sempre tenho problemas quando alguém me pergunta isso, pois nunca sei direito o que sou!

Porque escolheu a Noruega?

Na verdade foi a Noruega que me escolheu. Eu queria vir para a Europa (apesar de USA ser bem mais fácil), e procurei em vários lugares depois das primeiras buscas descobri que na minha área os locais mais fortes em pesquisa são Reino Unido (Inglaterra e Escócia) e Noruega - por causa do mar do norte. Já notei que iria acabar caindo num desses países. Comecei a procurar financiamento, e aí a Noruega venceu. Eles têm muito dinheiro sobrando para investir em mão de obra nessa área.

Como é o processo para se conseguir uma bolsa de pós-doutorado na Noruega?

Parti do princípio que não queria uma bolsa brasileira (o que é a coisa mais fácil a se fazer e de se conseguir), pois com isso você fica na obrigação de voltar e passar o mesmo tempo que ficou fora no Brasil.

Não quer voltar?

Não que eu não queira voltar, mas a idéia de ficar presa não me agradava. E se eu gostar? Se quiser ficar? enfim…

Qual o primeiro passo que se deve dar nessa busca?

Fui atras de páginas de busca de emprego/posição acadêmica na área de petróleo. Todas as áreas têm isso. é um site de busca de empregos só que bem mais especializado e dentro de uma área específica. Uma outra opção é entrar nas páginas das universidades que você conhece e mandar e-mails para os professores falando que está interessada em um post-doc ou mesmo doutorado. Assim na cara dura mesmo!

E dar certo?

Dá certo! A partir daí é arrumar o currículo e mandar. é jogar para todos os lados e não tem muito regra. Tenho uma amiga que fala que tem que jogar com a estatística e mandar uns 10, pra que 1 seja aceito

No seu caso o que mais pesou a seu favor?

No meu caso específico, também valeu a indicação. Eu tinha me inscrito para um post-doc numa empresa de pesquisa que fica em Oslo, e eles gostaram de mim mas pelo próprio tipo de trabalho, escolheram outra pessoa, mas eles me indicaram para este professor nesta universidade (Trondheim) e ele mesmo entrou em contato comigo.

A Noruega tem muitas bolsas de estudo?

Pouca gente quer vir pra Noruega, então tem muita bolsa sobrando! No meu caso tinha 2 bolsas e tive que escolher, aí escolhi pelo professor mais “famoso”. Eu fiz a entrevista no dia 11/01/06. A partir dai foram 6-7 meses de burocracia, envios de documentos, etc. até eu conseguir chegar aqui no dia 02/08.Â

O que a Noruega oferece?

Na minha área eles estão a frente de qualquer outro país em matéria de recuperação avançada de petróleo. Eles já não têm mais campos novos de petróleo e agora tem que se aprimorar em conseguir extrair o que eles ainda têm.

Quais os planos para depois do pós-doutorado? Noruega? Brasil?

Não sei… aonde o vento me levar! Por isso eu não quis uma bolsa brasileira. Quero ter a liberdade de mudar de idéia e começar tudo de novo.. Ou me fixar por aqui, ou mesmo voltar para o Brasil. Eu tenho um sonho de trabalhar em centro de pesquisa. No Brasil é praticamente impossível. Então vou tentar me tornar mais conhecida para poder barganhar um trabalho desse tipo.

Um brasileiro pode conseguir esse tipo de trabalho?

Infelizmente, é muito difícil um brasileiro que passou a vida no Brasil ser contratado para trabalhar numa posição de pesquisa em um centro de excelência.

O que espera da Noruega?

Espero ter experiencias de vida, conhecer as coisas boas e ruins de morar num lugar frio, conhecer outra cultura, aprender outra língua, conhecer pessoas diferentes. Resumindo, espero viver bons momentos por aqui!

Eles não querem que a senhora fale norueguês?

Quanto ao norueguês? todos me falaram que a língua no trabalho seria inglês. Ninguém me exigiu nada com o norueguês e nem sugeriu que eu fizesse curso (eu que quero fazer). Conheci aqui uma colombiana que fez mestrado e está no início do doutorado (já esta aqui a 2 anos) e não sabe norueguês.

Não ficou preocupado por causa do idioma diferente?

o fator língua não me preocupou muito porque eu já viajei algumas vezes e já notei que em todos os lugares as pessoas conseguem se fazer entender… então não fiquei muito preocupada se no início não entenderia nada. Achei aqui até mais fácil que na Alemanha, pois lá antes de você falar em inglês, tem que perguntar em alemão se a pessoa fala inglês, já aqui, você simplesmente vai falando em inglês e as pessoas “mudam a chave” e respondem normalmente já em inglês.

A doutora Mercia explicou ainda que qualquer um/em qualquer area pode conseguir bolsas de mestrado, doutorado ou pós-doutorado. É só seguir o caminho indicado por ela.

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13 Responses to “É outro nível: A Noruega escolheu ela”


  1. Oi, Cilene! Boa sorte pra Mércia.
    Abraços / Luciane


  2. Excelente entrevista, otimo saber um pouco mais sobre a Mercia!!
    BJS


  3. Concordo em gênero número e grau com o que a Mércia relatou.
    Na minha opniao existem 2 maneiras mais acessiveis de se encaixar em qualquer lugar do mundo, a área academica/pesquisa, e empresas multinacinais.
    Um abraco,


  4. Mais uma história de vida bonita. Parabéns para as duas.


  5. Gostei muito da entrevista.
    Quem se esforça e luta pelos seus objetivos, com certeza algum dia alcançará o que deseja!


  6. Adorei! Conheço pouco a Mércia, mas pelo que leio no blog dela e pela entrevista aqui, a gente percebe que ela conseguiu esse pós-doutorado por dois motivos: 1) é competente no que faz e 2) tem iniciativa. O que mais se pode querer de um profissional?

    Acho muito merecido o que está acontecendo e desejo a ela todo o sucesso!

    P.S.: Obrigada pelas dicas!!!


  7. oi cilene
    muito interessante a entrevista com a mércia
    se a pessoa é boa naquilo que faz ela consegue escolher e não ser simplesmente escolhida, não é mesmo?
    beijos!!


  8. Eita que interessante! :)

    Desculpa o sumico, nao deu pra aparecer antes.


  9. Nem todas as histórias são iguais. Ainda bem que a da Mércia é boa.

    Bjo para as duas.


  10. Achei a entrevista como sempre ótima. A entrevistada é uma pessoa de garra e muito inteligente. Boa sorte pra ela.
    Beijo pra ti Ci


  11. Só o fato da Mércia não querer um vinculo empregatício, como a maioria o faz, já indica que seja uma pessoa desprendida. A Petrobrás, seria a única empresa brasileira que poderia contrata-la. Ela mantém em seu quadro, empresas contratadas diretamente pelo mundo, no entanto, pessoas são na maioria, admitidas através de concursos, crescendo hierarquicamente ou sendo mantidos em cargos políticos. No mais, se quisesse ficar no Brasil teria que montar uma empresa para ser uma subcontratada da Petrobrás. Fez bem em ir crescer o seu curriculum mundo afora. Parabéns!! Beijus


  12. Mercinha, só assim estou conhecendo um pouco mais sobre a Noruega e sobre voce. Parabéns, continue firme e forte. Sua mãe é humilde e nunca diz tudo sobre vocês, precisei acessar esse jornal portunheguês para saber da sua luta. Um abraço de todos da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária de Pernambuco - Brasil.

  13. Augusto Pelzer on August 29th, 2006 at 3:39 am


    Grande Mercinha! Sucesso e profissionalismo como nunca se viu. Você tem potencial ilimitado. A Tia Sá e família manda um grande beijo e um sincero desejo de felicidades. Parabéns! Continue assim, você vai longe!