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Mercado de trabalho na Holanda com Susana

0122.JPGQuando falamos em Holanda, logo vem à mente tolerância, liberdade de expressão e liberalidade. Esses conceitos, se algum dia chegaram a existir na totalidade por aqui, já foram há muito deturpados .

Tolerância ?

Como podemos falar em tolerância quando os imigrantes são barrados, ou, uma vez aqui, são obrigados a se “integrarem” (até onde permitido) através de uma carretada de exames , cursos relâmpagos e cartilhas;

Liberdade de expressão?

0011.JPGPara os holandeses, liberdade de expressão é dizer o que vem à telha, sem importar se vai ferir alguém ou não;

Liberalidade?

deveria andar de mãos dadas com as duas anteriores, portanto… estamos mal.

O que isso tem a ver com mercado de trabalho?

A gente só consegue sentir mesmo que esses valores já não existem mais quando sai em busca de emprego. E, o que vou falar aqui, baseia-se em experiências pessoais apenas.

No Brasil?

era professora concursada, portanto, estava por fora do que acontecia no mercado de trabalho em outras áreas.

Meu Diploma do Brasil?

Foi reconhecido aqui na Holanda e posso lecionar aqui também quando tiver o nível muito bom no holandês. Aí, reside o X da questão : ficar sem fazer nada até o idioma aperfeiçoar? Nem pensar ! Eu pretendo trabalhar enquanto estudo.

Mas, e como vai essa busca?

Muito difícil! Só entra para o mercado oficial de trabalho que tiver visto de permanência com permissão para trabalhar.

Não é por causa do indice de desemprego que esta alto na Europa?

1266.JPGFalam muito em desemprego aqui na Holanda. Para justificar o motivo dos imigrantes não conseguirem emprego, usam o argumento que até para os nativos está difícil. Mas, você abre os sites na net e há milhares, milhares de empregos. Os que pedem inglês, que são os visados pelos estrangeiros, normalmente, recebem o “+ holandês fluente”, para garantir que nenhum estrangeiro entre na concorrência.

Como assim?

Ter fluência em mais do que dois idiomas é crucial. É no mínimo obrigatório falar inglês muito bem, seu idioma nativo e mais algum(ns). Neste momento, o espanhol, francês e alemão são muito visados.

Se tiver isso consegue o emprego?

Aquele que passa pelo crivo do idioma, depara com o background … o que se fez ou estudou no Brasil parece não ser muito considerado, mas na hora de um emprego, pode ser decisivo. Área administrativo-financeira é área onde chovem empregos, com certeza. Acrescentando um bom conhecimento em IT (informática).Bem, prosseguindo, aquele que passou por isso também, pode deparar-se com o quesito idade. Como em outros países, se passou dos 35, é velho para o mercado de trabalho. Vai ser múltiplas vezes mais difícil conseguir uma colocação. Aí, como é proibido discriminação de todo e qualquer tipo (pelo menos abertamente), então, nunca saberemos abertamente disso, mas eles mandam aqueles e-mails automáticos dizendo : Helaas (Infelizmente), blá,blá,blá….

Nem chamam para entrevistas?

As entrevistas desnudam o candidato, que deve falar sobre si em todos os aspectos. Normalmente a entrevista começa com a pergunta: onde ficou sabendo desse emprego ? (com exceção de ser encaminhado via agência); fale sobre si: quais são seus pontos fortes e fracos ? ; como você acha que sua família o vê ? ; por que está se candidatando a algo tão diferente de sua área ? ; etc…

O curriculum como de ser?

O CV deve ser o mais profissional possível, sem erros de digitação (que podem ser fatais), e, de preferência com foto. Sem a foto no meu CV, quase nem obtive respostas às minhas solicitações.Os brasileiros muitas vezes têm de competir com os portugueses. Sim, para os holandeses, português nativo, é o de Portugal. Já teve uma agência que me disse que o português do Brasil é considerado dialeto. Se bem que é mais fácil empregar alguém que já faz parte da União Européia, ao invés de alguém que venha de um país de terceiro mundo, não é ?

Quem sobrevive a tudo isso, com certeza terá seu emprego num espaço de tempo razoável?

O que percebo é que no Brasil, quanto mais versátil, mais interessante você se torna. Aqui, eles acham absolutamente estranho você exercer atividades em áreas diferentes ou, fora da área de estudo.Aquela chance de deixar o indivíduo aprender algo novo é muito escassa por aqui.O que tive de ouvir de uma das mentoras da Prefeitura é que : “não basta aos estrangeiros ter um diploma universitário reconhecido. Aqui, terão de começar por baixo para provar que são capazes mesmo.” Fiquei petrificada…Isso seria alguma forma de tolerância às avessas ? Ou eu é que estou muito por fora da realidade ?

E os trabalhos mais simples?

06666.JPGPara quem não quer entrar nessa roda toda, tem o mercado “black”, que, normalmente, vai para a limpeza. É melhor do que nada, com certeza, mas é exploratório como em qualquer outro país. Sem falar que o governo deixou uma linha telefônica disponível para denúncias … quem for descoberto empregando alguém no “black” recebe uma multa bem salgada. Para o empregador é vantagem, mas para o funcionário ( que acaba sem direitos) e para o governo não. E, sempre há o dedo duro, né ?A única solução é retirar a última força que já está lá nos calcanhares e aprender o idioma para poder ser melhor aceito no mercado de trabalho aqui na Holanda, o qual é extremamente seletivo e exigente.

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8 Responses to “Mercado de trabalho na Holanda com Susana”

  1. Amiga,
    A entrevista da Susana é completissima. Só os muito otimistas e desavisados correm para a Holanda a pensar que é um paraíso… Estão muito pior do que na época da II Guerra Mundial. Devemos isto em parte a Mv.Rita Verdonk (aquela belezinha)..rs.
    beijinhos e parabens.

    [Reply]

  2. muito boa entrevista.
    fiquei curioso sobre as dificuldades do holandes (nativo) pra conseguir um emprego. porestas dificuldades que voce falou, para os imigrantes, são as dificuldades básicas dos brasileiros aqui no brasil mesmo. rss

    [Reply]

  3. caracas… que complicacao. Aqui tb nao e nada facil.
    Tive que estudar, fazer trabalhinhos alia e aqui ate chegar ao ponto que queria.
    Boa sorte ai
    Catita

    [Reply]

  4. Excelente post, esclarecedor. Nos Estados Unidos também é um pouco por ai…Em Israel o mercado de trabalho já está saturado, levando-se em conta que o pais é pequeno e existe um numero elevado de imigrantes judeus.

    beijos

    [Reply]

  5. Otima entrevista… Bacana mesmo…

    Tolerância quase não há… Sempre com uma desculpa para colocar mais uma barreira…
    Realmente uma luta.

    :*

    [Reply]

  6. Acho super vergonhoso uma pessoa se formar no Brasil e não consegue um bom trabalho. Mas indo pra fora, o diploma é reconhecido. Vai entender….

    [Reply]

  7. Na Suécia era a mesma coisa.Só que com uma diferença…eu quando recebi o visto, pude trabalhar.No caso quando o visto é por casamento o de trabalho, vem junto.MAs, não é nada fácil.Eu voltei ao BRasil por que eu me sentia nula, sem saber a direção que tomar.E tinha mais o curso que eu amo de paixão.E eu sabia que, se naop concluísse esse curso eu me arrependeria para o resto da vida.Sei que auqi no BRasil não é fácil, mas, eu sei que, para o que euq uero exercer preciso dos meus conhecimentos na área e na língua.Eu estudo línguas por que pretendo em submetere a um exame na área de Consulado.MAs, no mais, sitno-me feliz…A SU falou sem rodeios o que muita gente teima em esconder….beijocas

    [Reply]

  8. Lúcia, nem todos os cursos saom reconhecidos….o meu, não foi.Para me tornar advogada eut eria que recomeçar do zero, aproveeitando algumas matérias…Já o curso de Economia que fiz aqui no Brasil, teria que sofrer adaptação.Afinal, a realidade economica da Suécia é totalmente difernte da nossa.Isso ´[e o que me foi alegado…

    [Reply]