Mercado de trabalho na Holanda com Susana
Quando falamos em Holanda, logo vem à mente tolerância, liberdade de expressão e liberalidade. Esses conceitos, se algum dia chegaram a existir na totalidade por aqui, já foram há muito deturpados .
Tolerância ?
Como podemos falar em tolerância quando os imigrantes são barrados, ou, uma vez aqui, são obrigados a se “integrarem†(até onde permitido) através de uma carretada de exames , cursos relâmpagos e cartilhas;
Liberdade de expressão?
Para os holandeses, liberdade de expressão é dizer o que vem à telha, sem importar se vai ferir alguém ou não;
Liberalidade?
deveria andar de mãos dadas com as duas anteriores, portanto… estamos mal.
O que isso tem a ver com mercado de trabalho?
A gente só consegue sentir mesmo que esses valores já não existem mais quando sai em busca de emprego. E, o que vou falar aqui, baseia-se em experiências pessoais apenas.
No Brasil?
era professora concursada, portanto, estava por fora do que acontecia no mercado de trabalho em outras áreas.
Meu Diploma do Brasil?
Foi reconhecido aqui na Holanda e posso lecionar aqui também quando tiver o nÃvel muito bom no holandês. AÃ, reside o X da questão : ficar sem fazer nada até o idioma aperfeiçoar? Nem pensar ! Eu pretendo trabalhar enquanto estudo.
Mas, e como vai essa busca?
Muito difÃcil! Só entra para o mercado oficial de trabalho que tiver visto de permanência com permissão para trabalhar.
Não é por causa do indice de desemprego que esta alto na Europa?
Falam muito em desemprego aqui na Holanda. Para justificar o motivo dos imigrantes não conseguirem emprego, usam o argumento que até para os nativos está difÃcil. Mas, você abre os sites na net e há milhares, milhares de empregos. Os que pedem inglês, que são os visados pelos estrangeiros, normalmente, recebem o “+ holandês fluenteâ€, para garantir que nenhum estrangeiro entre na concorrência.
Como assim?
Ter fluência em mais do que dois idiomas é crucial. É no mÃnimo obrigatório falar inglês muito bem, seu idioma nativo e mais algum(ns). Neste momento, o espanhol, francês e alemão são muito visados.
Se tiver isso consegue o emprego?
Aquele que passa pelo crivo do idioma, depara com o background … o que se fez ou estudou no Brasil parece não ser muito considerado, mas na hora de um emprego, pode ser decisivo. Ãrea administrativo-financeira é área onde chovem empregos, com certeza. Acrescentando um bom conhecimento em IT (informática).Bem, prosseguindo, aquele que passou por isso também, pode deparar-se com o quesito idade. Como em outros paÃses, se passou dos 35, é velho para o mercado de trabalho. Vai ser múltiplas vezes mais difÃcil conseguir uma colocação. AÃ, como é proibido discriminação de todo e qualquer tipo (pelo menos abertamente), então, nunca saberemos abertamente disso, mas eles mandam aqueles e-mails automáticos dizendo : Helaas (Infelizmente), blá,blá,blá….
Nem chamam para entrevistas?
As entrevistas desnudam o candidato, que deve falar sobre si em todos os aspectos. Normalmente a entrevista começa com a pergunta: onde ficou sabendo desse emprego ? (com exceção de ser encaminhado via agência); fale sobre si: quais são seus pontos fortes e fracos ? ; como você acha que sua famÃlia o vê ? ; por que está se candidatando a algo tão diferente de sua área ? ; etc…
O curriculum como de ser?
O CV deve ser o mais profissional possÃvel, sem erros de digitação (que podem ser fatais), e, de preferência com foto. Sem a foto no meu CV, quase nem obtive respostas à s minhas solicitações.Os brasileiros muitas vezes têm de competir com os portugueses. Sim, para os holandeses, português nativo, é o de Portugal. Já teve uma agência que me disse que o português do Brasil é considerado dialeto. Se bem que é mais fácil empregar alguém que já faz parte da União Européia, ao invés de alguém que venha de um paÃs de terceiro mundo, não é ?
Quem sobrevive a tudo isso, com certeza terá seu emprego num espaço de tempo razoável?
O que percebo é que no Brasil, quanto mais versátil, mais interessante você se torna. Aqui, eles acham absolutamente estranho você exercer atividades em áreas diferentes ou, fora da área de estudo.Aquela chance de deixar o indivÃduo aprender algo novo é muito escassa por aqui.O que tive de ouvir de uma das mentoras da Prefeitura é que : “não basta aos estrangeiros ter um diploma universitário reconhecido. Aqui, terão de começar por baixo para provar que são capazes mesmo.†Fiquei petrificada…Isso seria alguma forma de tolerância à s avessas ? Ou eu é que estou muito por fora da realidade ?
E os trabalhos mais simples?
Para quem não quer entrar nessa roda toda, tem o mercado “blackâ€, que, normalmente, vai para a limpeza. É melhor do que nada, com certeza, mas é exploratório como em qualquer outro paÃs. Sem falar que o governo deixou uma linha telefônica disponÃvel para denúncias … quem for descoberto empregando alguém no “black†recebe uma multa bem salgada. Para o empregador é vantagem, mas para o funcionário ( que acaba sem direitos) e para o governo não. E, sempre há o dedo duro, né ?A única solução é retirar a última força que já está lá nos calcanhares e aprender o idioma para poder ser melhor aceito no mercado de trabalho aqui na Holanda, o qual é extremamente seletivo e exigente.
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A entrevista da Susana é completissima. Só os muito otimistas e desavisados correm para a Holanda a pensar que é um paraÃso… Estão muito pior do que na época da II Guerra Mundial. Devemos isto em parte a Mv.Rita Verdonk (aquela belezinha)..rs.
beijinhos e parabens.
fiquei curioso sobre as dificuldades do holandes (nativo) pra conseguir um emprego. porestas dificuldades que voce falou, para os imigrantes, são as dificuldades básicas dos brasileiros aqui no brasil mesmo. rss
Tive que estudar, fazer trabalhinhos alia e aqui ate chegar ao ponto que queria.
Boa sorte ai
Catita
beijos
Tolerância quase não há… Sempre com uma desculpa para colocar mais uma barreira…
Realmente uma luta.
:*